Dados inéditos do Pew Research Center revelam que, apesar do sucesso estrondoso de aplicativos de meditação e monges influenciadores, o budismo foi a única grande religião a encolher na última década.
DA REDAÇÃO – À primeira vista, poucas religiões parecem tão perfeitamente adaptadas ao ritmo e às demandas do século 21 quanto o budismo. Seus conceitos estão profundamente inseridos no mercado global de bem-estar, nos populares aplicativos de meditação guiada, na filosofia de mindfulness e em fileiras intermináveis de livros de autoajuda. Paralelamente, monges contemporâneos acumulam milhões de seguidores na internet, tornando-se influenciadores digitais e autores de best-sellers.
No entanto, um levantamento demográfico recém-divulgado pelo renomado instituto de pesquisas americano Pew Research Center traz um dado que caminha na contramão dessa aparente popularidade: entre todas as grandes religiões mundiais, o budismo foi a única a registrar uma perda de adeptos em números absolutos no período de 2010 a 2020.
O fenômeno exposto pelos dados revela um paradoxo intrigante para sociólogos e estudiosos da religião. Enquanto as práticas e a estética budistas são amplamente consumidas e elogiadas no Ocidente e no ambiente digital, a identificação formal com a instituição religiosa está em declínio, especialmente em seus berços tradicionais na Ásia.
Especialistas apontam que fatores como o envelhecimento populacional em países majoritariamente budistas (como Japão e Tailândia) e a rápida urbanização contribuem para a diminuição dos praticantes oficiais. Por outro lado, no Ocidente, ocorre uma espécie de "budismo secularizado": as pessoas adotam a meditação e a filosofia como ferramentas terapêuticas para aliviar o estresse corporativo, mas não se autodeclaram budistas em censos oficiais.
Enquanto outras vertentes religiosas globais, como o islamismo e o cristianismo, continuam a expandir suas bases impulsionadas por taxas de natalidade mais elevadas em regiões como a África e a América Latina, o budismo enfrenta o desafio de traduzir sua enorme influência cultural em engajamento comunitário real.
O relatório do Pew Research Center acende um alerta sobre como a espiritualidade moderna tem se fragmentado. Na era dos algoritmos, o budismo parece ter se transformado em um estilo de vida altamente lucrativo e atraente para as telas, mas que luta para manter vivos os seus templos e monastérios tradicionais.