As doenças cardiovasculares ainda são a principal causa de morte em mulheres no mundo, representando 8,5 milhões de óbitos anualmente. Segundo dados da Organização Mundial de Saúde (OMS), o problema representa um terço de todos os óbitos femininos. O Dia Nacional de Conscientização das Doenças Cardiovasculares na Mulher, celebrado nesta quinta-feira (14), traz à tona alertas sobre sintomas que representam riscos, como a arritmia. À CNN Brasil, a médica Thais Aguiar do Nascimento alertou sobre os riscos que a falta de cuidado com essa questão podem trazer às pacientes. A profissional é cardiologista, especialista em eletrofisiologia e coordenadora de Cardiopatia na Mulher da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC). Leia Mais Arritmias afetam 20% das pessoas ao longo da vida, dizem Kalil e convidados Dr. Kalil: Tratamento de arritmias pode incluir marcapasso, diz cardiologista Maioria das doenças cardíacas pode ser evitada, alerta Kalil e convidadas Segundo a especialista, existem variações biológicas e hormonais nas mulheres que as diferenciam dos homens no quesito cardiológico. “Essas variações, que ocorrem durante o ciclo menstrual, a gestação e o climatério, influenciam diretamente o sistema elétrico do coração. Após a menopausa, há uma queda do estrogênio, hormônio que exerce efeito protetor ao contribuir para a saúde dos vasos sanguíneos. A redução desse hormônio pode aumentar a suscetibilidade às arritmias”, alertou. Thais explicou que as alterações hormonais impactam diretamente na ativação do sistema nervoso simpático (SNS), responsável por preparar o corpo para situações de emergência, aumentando a adrenalina. Esse processo pode favorecer o surgimento de extrassístoles e tornar mais frequentes episódios de arritmias, como fibrilação atrial e taquicardias. Além disso, fatores como estresse e sedentarismo podem intensificar as chances de desenvolver a condição. Falta de diagnóstico de doenças cardíacas A cardiologista apontou que a arritmia em mulheres ainda é uma doença subdiagnosticada, ou seja, ela é identificada com menos frequência do que deveria na população. “As mulheres são menos expostas ao diagnóstico por diversos fatores. Socialmente, muitas são condicionadas a não valorizar ou relatar sintomas”, apontou ela. Thais seguiu: “Além disso, os sintomas femininos costumam ser mais atípicos, o que faz com que diversas vezes sejam atribuídos a outras causas, como estresse ou ansiedade. O que os estudos mostram é que as mulheres procuram menos atendimento médico, são menos incluídas em pesquisas e, consequentemente, acabam sendo menos diagnosticadas e menos tratadas”. Quais sintomas são causados pela arritmia? palpitações; sensação de coração acelerado ou irregular; falta de ar; tonturas; desmaios; cansaço excessivo. Arritmia cardíaca: quais são os sintomas e como é feito o diagnóstico?